SABERES POPULARES: EDUCAÇÃO MATEMÁTICA EM UMA PERSPECTIVA SOCIOCULTURAL NA UNIVERSIDADE DA MATURIDADE
Resumo
O presente estudo teve como objetivo investigar a articulação entre saberes populares e conceitos matemáticos, sob uma perspectiva sociocultural, visando o processo de aprendizagem dos integrantes da Universidade da Maturidade (UMA). A pesquisa buscou responder à seguinte questão: como a integração entre atividades envolvendo conceitos matemáticos e saberes populares pode contribuir, sob uma perspectiva sociocultural, para o processo de aprendizagem dos participantes da UMA? A pesquisa foi realizada inicialmente na Universidade Federal do Tocantins-UFT e as oficinas nas dependências do Instituto Federal do Tocantins (IFTO), no campus Porto Nacional, dentro do Grupo de Estudos de Matemática da Universidade da Maturidade do Tocantins (GEMUMA-TO), com a participação de 27 idosos. A metodologia adotada foi qualitativa, combinando abordagem integrativa do Design-Based Research (DBR), análise microetnográfica de Erickson (2001), os Saberes Básicos de Cachapuz, Sá-Chaves e Paixão (2002), juntamente com os saberes-chave da Comissão Europeia (2019). A análise dos dados foi fundamentada nas orientações de Bardin (2016) e organizou-se em três categorias principais: Atitudes e Valores em Relação à Matemática, Habilidades de Aprendizagem e Resolução de Problemas, e Habilidades de Comunicação e Expressão. As oficinas, realizadas ao longo de três semestres, foram centradas em uma abordagem sociocultural, estimulando os participantes a refletirem sobre o uso da matemática em situações cotidianas, como o planejamento financeiro e atividades práticas, como corte e costura, compras em supermercado, feira empreendedora. As oficinas levaram em consideração a concepção de afetividade e dos aspectos emocionais no processo de aprendizagem, conforme apontado por Chacón (2003), Vygotsky (2010) e Freire (1996). A análise foi orientada pela integração de diferentes teorias educacionais, como a aprendizagem significativa de David Ausubel, e as contribuições de D'Ambrosio (2005), Fiorentini (2009) e Borba et al. (2014), especialmente no que se refere à interação entre saberes populares e conceitos matemáticos. Os resultados indicaram que a articulação entre saberes populares e conceitos matemáticos ampliou as possibilidades de aprendizagem, promovendo uma integração dos conhecimentos matemáticos com as vivências dos idosos, além de proporcionar um ambiente de ensino significativo e inclusivo. Os participantes não só aprimoraram suas habilidades matemáticas, mas também fortaleceram suas habilidades sociais e empreendedoras, refletidas em uma Feira Empreendedora, onde apresentaram soluções para uma renda extra.
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